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Diversificação: complexa e fundamental

Daniel Celano, CFA é diretor responsável pela gestão de recursos de terceiros da Schroders Brasil.

Não é novidade para o investidor que o momento atual exige diversificação da carteira. A taxa básica de juros na mínima histórica no Brasil e o câmbio desvalorizado já vinham ditando essa regra desde o ano passado e, em 2020, a crise da Covid-19 somou-se para criar um cenário que tornou obrigatória a diversificação de investimentos para obter retornos significativos e proteger o patrimônio. Apesar de incertezas e volatilidades, o investidor teve que se mexer e buscar aplicações antes pouco exploradas, inclusive no exterior, para encontrar oportunidades de rentabilidade acima do CDI. No entanto, individualmente, muitos investidores não têm como dar conta dessa nova complexidade, por questões de tempo, capacidade analítica e conhecimento de finanças pessoais. É aí que entra uma assessoria de investimentos especializada.

Um estudo global da Schroders (Global Investor Study - GIS) deste ano mostrou que, no Brasil, quando os mercados de ações passaram por um período de volatilidade em fevereiro e março de 2020, 79% das pessoas fizeram alterações em sua carteira, com 70% delas modificando o nível de risco. Entre os entrevistados no país, 27% disseram ter transferido porções consideráveis da carteira para investimentos de risco mais baixo; enquanto 16% disseram ter transferido porções consideráveis da carteira para investimentos de risco mais alto. De fato, a combinação de ativos locais e internacionais em renda fixa, crédito privado e renda variável é o melhor caminho para um portfólio menos volátil e com mais oportunidades de geração de retornos. Vemos, no cenário atual, uma busca por mais conhecimento financeiro, bem como uma mudança relevante no portfólio dos investidores que também estão procurando mais aconselhamento em função de um mercado mais desafiador. Nunca esteve tão na moda a relação risco-retorno.

O GIS 2020 também apontou que a crise da Covid-19 provocou um foco maior do investidor nas suas aplicações: 65% dos investidores brasileiros pensam nelas frequentemente (ao menos, uma vez na semana) desde o começo da crise. Antes da crise, a parcela era de 52%. Essa preocupação maior fez com que a maioria dos entrevistados procurasse aconselhamento de um consultor financeiro independente (52%). O importante é que estejam procurando um auxílio profissional para montar as peças do quebra-cabeças de uma carteira diversificada e eficiente.

O investidor brasileiro está aperfeiçoando seus conhecimentos e sofisticando suas estratégias.

O levantamento da gestora revelou ainda que, quanto maior o conhecimento financeiro do investidor, mais ele procura orientação de especialistas. Ou seja, o investidor que entende a complexidade do tema busca mais aconselhamento. A enorme variedade de classes de ativos à disposição do investidor, em uma variedade de mercados mundiais (cada um com suas especificidades) demanda uma análise de investimentos muito mais complexa no cenário atual. O tripé de alta liquidez, alta rentabilidade e baixo risco não é comum em outros mercados e, uma vez que esse tripé não está mais disponível, há a necessidade de uma gestão ativa e capacidade analítica de escala, só proporcionadas por profissionais especializados.

O investidor brasileiro está aperfeiçoando seus conhecimentos e sofisticando suas estratégias. Buscar mais eficiência na alocação é o primeiro passo para, depois, ir aumentando o risco da carteira com a ajuda de profissionais especialistas no tema. Quanto mais profissionais certificados e especializados agindo dentro dos mais elevados padrões éticos, mais longe o investidor brasileiro pode ir nessa jornada de amadurecimento. A resistência a procurar uma orientação profissional pode ser o maior risco na hora de investir com diversificação que, se bem feita, com capacidade analítica, conhecimento profissional e gestão ativa, com foco nos objetivos e preferências dos clientes, pode atuar pela mitigação de riscos com resultados acima da média no longo prazo e proteção do patrimônio, não apenas em tempos de crise.

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